Matéria Prima

Matéria Prima

ma.té.ri.a-pri.ma
mɐtɛrjɐˈprimɐ

nome feminino
Do latim materĭa-, «matéria»+prima-, «primeira»

1.
substância principal ou essencial de que uma coisa é feita
2.
fundamento de alguma coisa

 

 

MATERIA PRIMA é um arquivo de DESENHOS, cuja grande maioria foi criada durante uma década [1984-1994] e correspondem a um percurso evolutivo de expressão plástica e concepção metafísica [conjunto de reflexões que visam a explicação racional da realidade, partindo da experiência, mas ultrapassando-a, de forma a chegar a realidades que a transcendem].


O objecto artístico, considera o autor,  é um acidente do impulso criativo que ele próprio desenha, em cada momento que dá por acabado um registo, um esboço, ou um gesto.
Por vezes trata-se de um complexo acumular de traçados em camadas sucessivas de material… outras vezes sente-se apenas o gesto rápido capaz de sintetizar numa linha a plenitude do olhar.
O TEMA é a figura humana. Por vezes surge isolada num espaço abstracto delimitado sem precisão, ou apenas sobre o papel. Outras vezes está representada no seu habitat. Outras vezes ainda aparece num espaço fechado, delimitado por linhas rigorosas, fechado no seu mundo imaginário.

O ARQUIVO é composto por cerca de sete centenas de objectos de dimensões, formatos, técnicas e suportes diversos. A sua caracterização técnica vai desde a representação naturalista e académica, impregnada por vezes de um imaginário esotérico subconsciente, a um neoexpressionismo emergente e compulsivo.

A técnica privilegiada do autor foi sempre a grafite pura. No entanto aborda outras expressões plásticas como os pasteis, a cera, a aguarela ou o carvão e a colagem/descolagem.
O suporte é quase sempre o papel, num vasto leque de formatos, texturas, materiais e pesos.

Para o AUTOR trata-se de um ciclo formativo de criatividade plástica e humana que teve o seu TEMPO. Corresponde a um estádio preciso no percurso da sua formação continuada enquanto observador do UNIVERSO e das coisas do mundo, bem como enquanto criador de imagens.
Este ciclo foi transposto quando o próprio considerou que atingira de alguma forma a plena síntese e simplificação da NATUREZA HUMANA, através do seu risco, sintético e instantâneo.

[O espírito de Marat; grafite sobre papel, 130×90 cm, s/d]

Por outro lado,  conseguiu entender que a ARTE é a essência do espírito humano e é através dela que o Homem mostra a sua consciência das coisas.
Foi por vezes, de forma cíclica, um produtor compulsivo e desorganizado de objectos artísticos. Sabia que para além disso restaria apenas a laboriosa originalidade e a produção em série.
Depois deste ciclo criativo o autor dedicou-se sobretudo à concepção gráfica, à fotografia e multimédia: — a era digital impôs novas ferramentas e abriu um universo sem limites para o criador de imagens.
[Desde então, participei em vários projectos de arte colectiva, fiz várias exposições individuais e performances públicas, trabalhei em projectos de cenários, cenários/objectos de grande dimensão para coreógrafos de dança, teatro e acções públicas, bem como projectos de arte para museus e galerias.
Tenho um grande portfólio de trabalhos para empresas e instituições, há mais de 30 anos, como designer gráfico.
Em 1991 tive que comprar meu primeiro MAC, para continuar trabalhando em design gráfico. Instalei o Photoshop 3.0 pela primeira vez usando seis disquetes. Dez anos depois comprei minha primeira câmara digital DSLR.
Desde 2015 decidi trabalhar quase exclusivamente em fotografia, tratamento de imagem digital e projetos multimédia.
Hoje, como todos os fotógrafos profissionais, tenho uma câmara extraordinária e trabalho com programas fantásticos para tratamento de imagem, usando a maravilhosa tecnologia de captura, tratamento, exibição e impressão de imagens em alta definição.

Foi um longo caminho, mas afinal, ainda me lembro do mistério da luz vermelha suave na sala escura… e da magia das formas que saem desses estranhos líquidos, no laboratório caseiro a preto e branco do meu pai.]

in – https://print.amphoto.pt/about.html

Após um longo percurso de formação e experimentação, bem como de produção, o autor dispõe agora do know-how e dos meios técnicos adequados para reutilizar a sua “matéria-prima” numa “recriação” que se serve dos materiais originais, através do seu registo, tratamento e transformação.


O ARQUIVO é a colecção do autor. Dela fazem parte os objectos que conservou consigo durante três décadas. Do conjunto inicial de trabalhos, alguns, poucos, foram vendidos a colecionadores particulares. Outros foram oferecidos, muitos… e fazem agora parte de outras colecções.