Os Engravatados

Os Engravatados

“O Engravatado” é um símbolo. Um ícone dos nossos tempos.

Um ENGRAVATADO [Em Inglês “tied”], fica bem em qualquer Office ou Hall de entrada… em qualquer Foyer de Hotel ou gabinete de administração.
“O Engravatado” é uma forma sintética de representação do Humano moderno — Uma variante planificada do profético “21st Century Schizoid Man”, de Peter Sinfield (King Crimson, 1969) encafuado na farda standard que veste e ostenta, no mundo dos mercados da era actual. O individuo “normalizado” e subserviente, exigido pela Globalidade, alienado pelo sistema tributário escravocrata e pelo poder abstracto da Macro-economia, que dominam a sociedade de consumo contemporânea.

A figura humana, cujo rosto é coberto por uma máscara azul prussiano, deixa ver apenas os olhos [O branco dos olhos e a pupila dilatada são o que resta da expressão humana, já que o nariz e a boca são “buracos” disformes no corpo da máscara e o cabelo uma massa de pinceladas a preto], vestido com um casaco, uma camisa e uma gravata. Os casacos são todos parecidos, com variantes de recorte e as cores, ocres, laranjas e castanhos, sobrepõem-se sobre a massa preta que desenhou o casaco. As camisas são brancas, impecáveis. A gravata é o “epicentro” da composição. Duas ou três massas de tinta em poucas pinceladas. Coloridas, às listas, estampadas, pretas ou sarapintadas.
A máscara, o casaco, a camisa a a gravata são comuns a milhões de engravatados que assim se exibem em todo o mundo.
É a “farda” do homem [e de algumas mulheres] do tipo “executivo”. Do homem [e de algumas mulheres] de negócios, administrativos, bancários, advogados, engenheiros, doutores, consultores… mas sobretudo dos políticos, dos governantes, dos chefes de estado, dos grandes magnatas e do seu exército de parasitas dos mercados que nada produzem.

É um “retorno” à pintura. À Matéria.
Acrílico, água e aditivos sobre papel FABRIANO Clássico 5 de 300g no formato 100 X 70, vertical.
Em celebração dos tempos que correm e se “a tanto me ajudar o engenho e a Arte”, este será o meu tema privilegiado até considerar que devo mudar de assunto.
A “produção” é feita em séries de 9, por ser um adepto da Scala Philosophorum.

Álvaro
Janeiro 2020
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A gravata é uma tira de tecido, estreita e longa, que se usa em torno do pescoço e que é presa por um laço ou nó na parte da frente. Peça predominantemente do vestuário masculino.
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O termo “gravata” deriva do francês “cravate”, que por sua vez é uma corruptela de “croat”, em referência aos mercenários croatas, que primeiro apresentaram a indumentária à sociedade parisiense.
Provavelmente, a primeira utilização de objetos de forma semelhantes às gravatas hoje conhecidas foram identificadas entre os egípcios. Arqueólogos identificaram em torno do pescoço de múmias egípcias uma espécie de amuleto conhecido como “Nó de Ísis”, em egípcio “tit”, que representa o sangue da deusa. Esse objeto, confeccionado de cornalina, jaspe ou vidro vermelho, possuía a forma de um cordão arrematado com um nó, cuja função seria de proteger o finado dos “perigos da eternidade”.

[in wikipedia.org]